A Asociación del Fútbol Argentino (AFA) entrou no radar do Federal Bureau of Investigation (FBI) durante a Copa do Mundo de 2026 por conta de uma investigação envolvendo possíveis irregularidades financeiras.
As autoridades norte-americanas analisam movimentações realizadas nos Estados Unidos durante a gestão do presidente Claudio Tapia e do tesoureiro Pablo Toviggino. A apuração busca identificar se houve práticas como lavagem de dinheiro, desvio de recursos ou fraude bancária.
O foco da investigação está na empresa TourProdEnter LLC, ligada ao empresário Javier Faroni. A companhia teria sido responsável por receber e administrar pagamentos de contratos internacionais firmados pela AFA com patrocinadores e parceiros comerciais.
Segundo informações divulgadas pelo jornal argentino La Nación, a empresa teria movimentado pelo menos US$ 260 milhões em receitas da federação argentina por meio de cinco instituições financeiras dos Estados Unidos.
Entre os contratos analisados estão acordos milionários com grandes marcas, incluindo um vínculo de US$ 60 milhões com a Adidas e outro de US$ 40 milhões com a Warner Bros. Discovery.
Um dos principais pontos da investigação envolve aproximadamente US$ 57 milhões que teriam sido enviados para empresas e beneficiários sem uma justificativa econômica considerada clara pelos investigadores.
A suspeita é de que apenas uma parte desses recursos tenha sido utilizada para despesas operacionais da entidade.
Documentos analisados também indicam que algumas empresas que receberam valores poderiam não apresentar atividades identificáveis ou serviços comprovados. Algumas delas estariam vinculadas a pessoas que aparecem como beneficiárias de programas de assistência social na Argentina.
A apuração também encontrou transferências envolvendo empresas relacionadas a Pablo Toviggino e pagamentos destinados à companheira do dirigente, que possui parentesco com Manuel Valdés, citado como "guia espiritual" da Seleção Argentina.
A investigação ganhou força em 2025 e está sendo conduzida pelos procuradores federais Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger.
Agentes do FBI e especialistas em crimes financeiros e corrupção pública já começaram a ouvir pessoas ligadas ao caso. Entre os depoimentos coletados está o do empresário Guillermo Tofoni, presidente-executivo da World Eleven, parceira comercial da AFA e responsável por organizar amistosos internacionais da seleção argentina.
Apesar das suspeitas levantadas, a investigação ainda está em estágio inicial nos Estados Unidos. Até o momento, não houve denúncia formal ou indiciamento contra a AFA ou seus dirigentes.
A entidade argentina também não apresentou um posicionamento oficial sobre o caso.
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