Domingo, 16 de Agosto de 2026
Esportes OPINIÃO

Por que o Flamengo levou sua intertemporada para Portugal? A resposta vai muito além do futebol

Mais do que disputar amistosos, o Rubro-Negro reforça uma estratégia de internacionalização da marca, amplia sua exposição na Europa e consolida sua posição entre os clubes mais relevantes fora do continente europeu.

11/07/2026 19h57
Por: Redação
(Foto: Divulgação/Flamengo)
(Foto: Divulgação/Flamengo)

Na minha visão, o Flamengo não foi a Portugal apenas para disputar amistosos. Foi para fortalecer uma estratégia que vem sendo construída há alguns anos: a internacionalização da sua marca.

Esse movimento ganhou força depois de 2019. A conquista da Libertadores sobre o River Plate, comandada pelo português Jorge Jesus, aproximou o clube da imprensa e do torcedor português. A partir dali, o Flamengo passou a ser observado de outra maneira na Europa. Não era mais apenas um gigante do futebol brasileiro; tornava-se um clube capaz de despertar interesse fora do continente sul-americano.

Esse crescimento de imagem também passa pelo desempenho esportivo. Nos últimos anos, o Flamengo mostrou competitividade em torneios internacionais diante das maiores potências do futebol mundial. Em 2019, chegou à final do Mundial de Clubes e fez um jogo equilibrado contra o Liverpool, sendo derrotado apenas na prorrogação por 1 a 0, com gol do brasileiro Roberto Firmino. Já no Super Mundial de Clubes 2025, voltou a chamar a atenção ao vencer o Chelsea e fazer uma atuação competitiva diante do Bayern de Munique. Depois, no fim de 2025, novamente disputou um Mundial e chegou à decisão contra o Paris Saint-Germain, empatando por 1 a 1 no tempo normal e também na prorrogação, sendo superado apenas na disputa por pênaltis. Esses resultados, independentemente dos títulos, ajudam a manter o Flamengo em evidência e fazem com que a imprensa e o torcedor europeu passem a enxergar o clube como um adversário capaz de competir em alto nível.

Esse cenário também mudou porque o Flamengo passou a atuar de forma mais agressiva no mercado internacional. Hoje, o clube disputa jogadores que ainda têm mercado na Europa e consegue convencê-los a vestir a camisa rubro-negra.

As recentes contratações de Samuel Lino e Lucas Paquetá, além de nomes como Jorginho e Saúl Ñíguez, mostram que o Flamengo deixou de ser apenas um comprador de oportunidades para se tornar um concorrente real em negociações envolvendo atletas de alto nível.

Foi exatamente dentro desse contexto que a intertemporada em Portugal fez sentido.

O Flamengo realizou três amistosos, empatou um e venceu dois, encerrando a preparação com um triunfo por 2 a 1 sobre o Benfica e a conquista do Troféu do Algarve. Embora seja uma competição amistosa, ninguém entra em campo querendo perder para um adversário desse tamanho. Existe competitividade, existe repercussão e, principalmente, existe exposição.

E talvez esse seja o maior objetivo de toda a viagem.

Durante dias, jornais, emissoras de televisão e portais esportivos portugueses falaram do Flamengo. O clube esteve presente no noticiário europeu, ganhou espaço na mídia local e voltou a fazer sua marca circular em um mercado extremamente relevante para o futebol mundial.

Faça o exercício contrário.

Imagine se o Benfica viesse ao Brasil realizar uma pré-temporada. Você acha que a imprensa brasileira ignoraria a presença de um dos maiores clubes portugueses? Claro que não. Haveria reportagens, transmissões, entrevistas e uma enorme curiosidade do público brasileiro. Naturalmente, mais pessoas passariam a conhecer, acompanhar e até simpatizar com o Benfica.

É exatamente esse efeito que o Flamengo busca quando leva sua preparação para Portugal.

Por isso, quando alguém diz que o Flamengo faz isso para aparecer, minha resposta é simples: faz mesmo.

Mas não é um "aparecer" vazio.

É uma estratégia de posicionamento de marca.

O futebol moderno não se resume ao que acontece dentro das quatro linhas. Os grandes clubes também disputam espaço na mídia internacional, conquistam novos torcedores, atraem patrocinadores e fortalecem sua imagem em mercados onde antes praticamente não existiam.

O Flamengo entendeu isso.

E, gostem ou não, hoje é um dos poucos clubes brasileiros que consegue sentar à mesa para disputar jogadores com equipes importantes da Europa. Isso não acontece por acaso. É resultado de planejamento, investimento e construção de marca.

O OLHAR DO VANDERLEI

Muita gente ainda analisa o futebol olhando apenas para os 90 minutos. Eu prefiro olhar também para o que acontece fora de campo.

A viagem do Flamengo para Portugal não foi somente uma preparação técnica. Foi uma ação de marketing esportivo, relacionamento internacional e fortalecimento institucional.

No futebol atual, ser grande não basta. É preciso ser visto.

E nisso, o Flamengo tem mostrado que sabe exatamente onde quer chegar.

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